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2006年5月 FUTEBOL - Desporto ou Negócio ?O Campeonato do Mundo de Futebol, está a escassos 15 dias do pontapé de saída, e os adeptos dos paises com a selecção apurada para esta fase final, vivem já na euforia da conquista do almejado título.
Até os Governos estão na expectativa, pois pretendem tirar dividendos politicos, e criar vagas ilusões nos cidadãos.
O futebol é um fenómeno social que arrasta aos estádios de todo o mundo, para o bem e para o mal, milhões de espectadores.
O futebol espetáculo deu os primeiros pontapés na Inglaterra, de inicio timidamente a contra gosto da sociedade estabelecida, mas rapidamente, conquistou praticantes e adeptos em todo o planeta.
Daí até à constitução de clubes, formação de selecções, organização de campeonatos e torneios internacionais, foi uma sucessão rápida e abrangente, para o profissionalismo desenfreado dos praticantes.
O 1º Campeonato do Mundo aconteceu no Uruguai, no ano de 1930, e foi conquistado pelo Uruguai.
Depois, os clubes até então chamados desportivos, constituiram-se em sociedades desportivas, e mais tarde sociedades anónimas, onde a palavra de ordem é o capital e o lucro, em detrimento do carácter desportivo inicialmente idealizado pelos seus fundadores.
Os futebolistas, em lugar de atletas predestinados e de eleição, passaram a ser artistas de um espetáculo transformado em máquina de realizar dinheiro.
Os adeptos, em vez de dar apoio e festejar as vitórias da sua equipa, vão aos estádios, para, quando o seu clube perde, travar lutas campais com os adversários, transformados em inimigos.
Este preâmbulo vem a propósito, porque me ocorreu contar como o futebol invadiu a minha pequena terrinha de Mosteirô.
Na minha juventude eu gostava de jogar futebol, para o qual dizem, eu tinha capacidade incomum, e quando iniciei os estudos no Liceu do Porto, vinha nos fins de semana para Mosteirô (minha terra natal), não só para matar saudades de casa, como para jogar futebol com os meus amigos e conterrâneos da aldeia.
Começamos por jogar descalços, pois nesse tempo, para eles o sapato era só para a missa.
Convenci meu pai a comprar equipamentos e "chuteiras" para a turma toda.
Fui com o pai a uma casa da especialidade no Porto, e compramos 24 equipamentos completos (para 2 equipas), que custou, na ocasião, mais ou menos o equivalente a 100 €. nos tempos de hoje.
Escusado dizer a euforia que este pequno gesto de uma criança, provocou em todo o povoado.
Aos domingos de tarde, passou a haver novo divertimento para entreter as pessoas da aldeia, além dos tradicionais jogos de cartas, e da malha.
No amplo adro da Igreja, mais tarde construiu-se um campo de futebol, disputamos grandes jogos de futebol, e a assistência, alegre e ruidosa aumentava de jogo para jogo.
Estes jogos despertaram tal interesse e ambição na população, que se organizou um grupo desportivo, ainda hoje existente, a disputar provas federadas na 3ª Divisão Distrital do campeonato de Aveiro, a prova mais modesta do calendário Português.
O clube ficou nomeado - Grupo Desportivo e Recreativo de Mosteirô.
Meus irmãos mais velhos e primos, foram os grandes impulsionadores do movimento inicial, e depois passaram a pasta a pessoas locais.
Ao longo dos anos, sempre mantive a minha qualidade de sócio fundador.
Com a minha passagem à Reforma Profissional, radiquei-me definitivamente em Mosteirô, e passado algum tempo, uma distinta comissão do clube veio a minha casa, e entendeu convidar-me a presidir os destinos do clube, para revitalizar a colectividade.
Acedi com muito gosto, e como é meu hábito, levei para a direcção todo o meu entusiasmo que depressa imprimiu vivacidade e novo ritmo à agremiação.
No 2º ano da minha presidência, na véspera de um jogo que era decisivo para a equipa adversária não ser despromovida, (nós já estavamos qualificados), um director dessa equipa, de uma povoação vizinha, veio pedir-me para nós facilitarmos a vitória deles, e dava 1.000 € de compensação ao nosso clube.
Claro que eu recusei categórica e enérgicamente esta proposta.
No dia seguinte, durante o jogo, eu pude constatar que o árbitro estava, descaradamente, a beneficiar a outra equipa, com prejuizo para nós.
No final da partida com a vitória do adversário por 1-0, o tal Director que na véspera falara comigo, acercou-se de mim e disse com ar arrogante e sorriso maldoso:
- O Sr. não aceitou a minha proposta, comprei o árbito, e até ficou mais barato.
Óbviamente no dia seguinte apresentei a minha demissão, e anulei o meu título de sócio do clube, por agressão ao meu conceito de desporto.
Voltando ao Campeonato do Mundo, faço votos para presenciarmos uma grande final - Portugal - Brasil, e, seja qual for o resultado, os adeptos das 2 selecções festejem uma boa partida de futebol, e abandonem o estádio de mãos dadas.
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