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2006年5月 Breves Memórias de um Reformado VI,
6ª Parte - Finito
E pronto, terminam umas férias registadas no livro de recordações, pela magnifica aventura turistica, de quase 20 dias, com itinerário pelos principais parques de campismo da Europa.
Pela derradeira vez, gozei um período de férias do verão durante 3 longos meses (Julho, Agosto, Setembro).
De ora em diante, e após ingresso na Universidade, estas férias estão limitadas ao mês de Agosto, quantas vezez por 15 dias apenas.
Isto porque, os exames na faculdade se arrastam por todo o mês de Julho, recomeçando em 2ª época no início de Setembro, até Outubro.
Nos primeiros dias de Outubro, regresso ao Porto, à velha República, e ao reinicio do trabalho.
Os encantos e tradições da República "Rotunda da Boavista" foram-se esbatendo lentamente ao longo dos meus 7 anos de Liceu, pelo facto de eu ter sido o mais novo e último caloiro a receber "praxe", e também, pelo sucessivo abandono dos elementos mais velhos, conforme terminados seus cursos.
No meu último ano de frequência, eu, era o único ocupante da República a receber os carinhos, e reprimendas, (nunca levei tapa na bunda !!!) da querida e saudosa governanta dona Laurinda.
Na Universidade enfrentei novamente a azáfama e curiosidade do desconhecido, começando pela matrícula no curso pretendido (Engenharia Civil), e inscrição nas cadeiras (disciplinas) referentes ao 1º ano.
Tudo era novo e fascinante, e tudo absorvia com grande avidez para me inserir no ambiente, e aprender o que me rodeava.
Contacto com novos colegas e amigos, professores, e uma enorme espectativa para o início das aulas.
Com muito trabalho, disciplina, e a ajuda preciosa de muitas pessoas, vencendo os obstáculos que tive de enfrentar, cheguei ao 3º ano do curso, composto por 6 anos de frequência.
Chegado ao 3º ano aconteceu o imprevisto e indesejado ... grande chumbo nos exames, que alterou por completo os meus planos préviamente traçados.
Nesse tempo (Portugal iniciava uma guerra na defesa das suas colónias ultramarinas), e por necessidade extrema de recrutamento de mancebos habilitados para o curso de oficiais milicianos, todo o aluno que reprovasse nos exames, é automáticamente recrutado para reforçar as fileiras do exército.
Os Universitários são encorporados como oficiaiis milicianos, que representam a legião dos oficiais não pertencentes aos quadros do exército.
De um dia para o outro, o estado Português , altera o estatuto do Lito, de pacífico cidadão estudante, em belicoso soldado e carne para a guerra, por imposição unilateral.
Sem demoras fui encorporado, e durante 6 infindáveis anos, andei engolido por aquela tão complexa, como aberrante, máquina militar.
Durante os primeiros 6 meses frequentei um curso intensivo e muito, preenchido, para oficiais, que privilegiava as componentes fisica, e a táctica militar, teórica e prática.
Foram 6 meses de férrea, por vezes ridícula, disciplina e extremo esforço fisico, levado aos limites da resistência humana.
Como pequeno exemplo:
Inúmeras vezes acordavam bruscamente os recrutas a meio do sono (4 horas da madrugada) para fazer uma marcha de 5 Km.
Outras vezes despertavam o pessoal, que reunia em formatura, para passar uma reprimenda em, público, a um recruta que tenha prevaricado o regulamento militar.
Isto espelha bem, como é absurda e idiota a disciplina militar ...
Em todo o caso, foi-me permitido, sem prezuizo do serviço, marcar e fazer exames para não paralisar os meus estudos.
Após detalhada análise e profunda reflexão, optei por transferir a minha inscrição da Universidade para o Instituto Técinico e Industrial, que me habilita ao curso de Engenheiro Técnico, licenciatura com curso de 4 anos, equivalente a bacharel.
Transferi meu curriculum de 3º ano da Universidade, e para concluir esta licenciatura resta-me fazer 8 exames, que concluíi nos 2 primeiros anos de tropa.
Durante 3 anos servi com dignidade, como oficial instrutor de soldados em diversos quarteis, e andei executando manobras e exercícios de treinamento pelos campos militares.
Completados estes 3 anos, veio a inevitável mobilização, por imposição, para o ultramar, em situação de guerra com os movimentos de libertação das colónias.
Fui mobilizado para Angola onde durante mais três anos cumpri com galhardia a minha comissão.
Foram 3 anos onde presenciei chocantes cenas de desumanidade, e outras dramáticas, como, ver cair amigos, ou regressar abalados por alterações psicológicas, que ainda hoje os perturbam.
Felizmente saí a salvo, quer de um, quer de outro caso.
Regressei, para casar, e, dar início à minha actividade profissional, a que me dediquei de corpo inteiro, até me reformar, ao completar 60 primaveras, por vezes radiosas, outras nem tanto ...
Agradeço aos meus amigos, que teimaram até final, na leitura destas letras, e com tanta gentileza me dedicam, amistosos e carinhosos comentários.
Posso dizer que fui feliz, e, o tempo se encarregou de cicatrizar as feridas que me atormentaram.
Hoje, continuo feliz, por conviver com a felicidade de meus filhos e netos.
Abraço e Beijos,
Lito コメント (45 件)
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