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2006年4月 Resposta de Lorenzo VA Felicidade
Querida Maria Alice
Meu Amor
Não é possivel ser feliz sem a presença fisica do teu esplendor a meu lado.
Tenho sempre presente os momentos que passamos juntos, minuto a minuto, em que amparada nos meus braços fizeste juras de amor e te entregavas às delícias dos meus carinhos e ao prazer do amor.
O resgate está prestes a ser consumado, e em breve, repousas a tua cabeça no meu peito sedento de amor, e o teu corpo nos meus fortes braços prontos a cobrir e afagar esse delirante desejo.
Ao largo já avisto trémulas luzes que vão resplandecendo à medida que o pequeno bote se aproxima de terra, arrastado por ondas agitadas e maré bravia destas praias.
Ao tomar o bote com equipamento de marear, abastecimentos e água, para iniciar a fuga da embarcação dos piratas, apoderei-me da garrafa (abençoada Wilson) que evitou eu enregelar com os ventos gelados do Atlântico Norte, e também de um saco com substancial quantidade de moedas em ouro, oculto no camarote do capitão LÒlonnais.
Ainda a restabelecer dos ferimentos sofridos em mãos dos piratas, esfarrapado, com fome, sede e frio, logo pousei os pés em terra firme e levantei uma prece a Deus.
A todo o custo arrastei o bote para o interior de uma mata, onde o dissimulei muito bem pois poderia voltar a ser-me útil numa fuga de recurso.
Protegi-me, bebi o que restava no fundo da garrafa, juntei todos os trapos para me cobrir e dormi um sono profundo e reparador.
Sonhei contigo minha adorada, que já estavas protegida nos meus braços, e o barulho das ondas aliado ao som ameno da brisa que soprava na praia, cantava aos meus ouvidos como gemidos de prazer que ias libertando, depois de tanto tempo oprimidos nesse peito escaldante de desejo.
Quando abri os olhos o sol ia já alto e calculei ter dormido umas 20 horas.
Apaguei todos os vestígios da minha presença no local, deixei uma marca, bem perceptivel só para mim, e avancei com todas as cautelas em direcção ao povoado.
Evitando sempre os locais mais concorridos, encontro com facilidade os "Banhos Públicos", onde com enorme alívio me lavei afincadamente.
Próximo havia uma tenda onde foi possivel adquirir roupa nova, apropriada à minha condição de fidalgo, garboso e elegante.
À procura de uma boa refeição encontrei uma estalagem, onde me acomodei para satisfazer minha fome devoradora, de quem à muito tempo não saboreava comida quente e abastada.
Depos de convenientemente lavado, vestido e bem alimentado senti estar totalmente pronto e retemperado a enfrentar todos os obstáculos para libertar a minha amada do jugo daquele desprezivel vilão.
Deambulando pelo povoada dirigi-me para La Plaza Mayor, onde me apercebi de grande aglomerado de gente, provocando muita confusão e alarido.
Aproximei-me e verifiquei que era um mercador de escravos que expunha grande quantidade de mercadoria. escravos, para vender em hasta pública.
Acerquei-me do local, e ao observar a mostra de escravos, reconheci com surpresa e muito agrado, os meus bons e leais amigos, os malogrados marquês de Abranches e o duque de Valdevez, capturados juntamente comigo, e posteriormente vendidos ao mercador. Eu sempre pensei que tinham sido bárbaramente assassinados.
Maltratados, andrajosos e esfomeados ao verem-me aproximar aperceberam-se do meu gesto e simularam não me reconhecer
Acerco-me do mercador e negoceio por valores mais elevados que o normal, a compra da liberdade dos meus amigos, para evitar o leilão.
Rápidamente nos retiramos do local e levei os meus amigos aos Balneários, onde nos cumprimentamos efusivamente, e eles se lavaram e vestiram condignamente.
Hospedamo-nos na estalagem onde eles devoraram uma farta refeição, e de seguida, conversamos durante longas horas a contar nossas desventuras e planear o futuro próximo na libertação da minha amada Maria Alice.
Meu amor, só depois de ler as tuas amargas linhas, eu fiquei a entender o enorme sofrimento e dor provocado pelas mentiras e intrigas desse abjecto e traidor Abade Fleury, totalmente dominado pelo preverso Barão
Mas te juro, chegou a hora da nossa felicidade e fazer justiça, com honra, mas implacável.
Pela manhã, bem cedo, e totalmente recuperados de todos os infortúneos recentes, percorremos as calçadas do povoado, à procura de local onde podessemos comprar armas e munições em número suficiente para enfrentar dura batalha que se aproximava.
Já na posse do armamento, marchamos em direcção ao porto de mar pois impunha-se fretar uma embarcação, e respectivos tripulantes a fim de regressarmos a nossas terras com segurança.
Tivemos que deambular por diversas tavernas e conversar com inúmeros marinheiros até encontrar o capitão Vellasquez, um espanhol destemido, conhecedor de toda aquela terra costeira e dos mares que a banham.
Conversamos por algumas horas para acertar estratégias, e ordenei-lhe, para no inicio da noite, ter preparados, 12 cavalos, e 6 homens da sua tripulação para juntamente com meus amigos avançarmos sobre os domínios do Conde Monte Verde, e arrancar das suas tenebrosas garras a minha frágil Maria Alice.
Seguidamente após apuradas investigações e diligências parti em busca do Abade Fleury, que acabei por encontrar na saída do templo local.
Sem qualquer explicação ou contemplação, obriguei-o a acompanhar-me e a contar todo o trama engendrado pelo Conde Monte Verde, e porquê ter colaborado tão cobardemente com o vilão.
Constantes ameaças de tortura e de morte foram suficientes para convencer aquele caracter fraco e miserável.
Também me informou o Abade que arrependido das traições cometidas contra Maria Alice e sua mãe, decidiu ajudar a donzela contribuindo na sua fuga para o Convento das Madres da Piedade, onde se encontra, presentemente, refugiada.
Informou-me ainda que o Conde Monte Verde pensando que ela fugira para mim, decidiu rumar para terras de meu pai, com ideias de nos matar a ambos, e raptar de novo a malograda Maria Alice.
Ao início da noite, à hora aprazada com o capitão Vellasquez, eu e meus amigos, juntamente com o Abade Fleury, reunimos com o capitão e seus 6 tripulantes fortemente armados, numa praça deserta por trás das cavalariças locais.
Evitando fazer barulho iniciamos a cavalgada rumo aos domínios do Conde Monte Verde, com o Abade a indicar o precurso.
Fácilmente dominamos as forças do Conde e entramos nos seus domínios.
Após busca minociosa em todas as dependências e anexos, deparamos em um dos quartos, com a mãe de Maria Alice quase moribunda.
Obriguei o Abade a jurar por Deus, ali defronte à desfalecida, que cuidaria dela condignamente, e, quando falecesse, celebrava um funeral honroso.
Mais o fiz jurar que tomava a seu cargo fazer uma distribuição equitativa dos bens do Conde Monte Verde, por todos os seus subordinados, reservando uma parte substancial para os mendigos da região.
A grande galope, e com o Abade a sevir de guia, cavalgamos em direcção ao Convento das Madres da Piedade onde se refugiara a minha amada.
O meu coração estava em sobressalto só de pensar que restava pouco tempo para apertar nos braços, o meu grande amor, e não mais deixar fugir.
Chegados ao amplo átrio do Convento ordenei ao Abade que fosse rápidamente procurar a Maria Alice e trazê-la até mim.
Os breves instantes seguintes me parecem uma eternidade, e eis que vejo a mais bela mulher do universo, a minha amada, atravessar a pesada portada do Convento, e correr de braços estendidos na minha direcção.
Foi um prolongado e arrebatado abraço, acompanhado de mil carícias, beijos apaixonados. e, ardentes lágrimas.
Emoçao impossivel descrever.
Contudo, não podiamos perder tempo, e de pronto, levantei Maria Alice nos meus braços firmes, e sentei-a na sela do meu cavalo, montando eu próprio atrás dela, e, enlaçando-a, lancei a galope o cavalo em direcçãp ao porto de mar, onde nos aguardava a embarcação do capitão Vellasquez, de velas prontas a zarpar.
Quando o sol rompe no horizonte, já nós navegamos ao largo, em águas tranquilas, rumo ao meu palácio.
A viagem decorreu calmamente sem sobressaltos a registar, de forma que, eu e minha amada disfrutamos todos os momentos, no camarote que nos foi destinado, para nos contemplar e amar perdidamente.
Chegados a terra, cerrei contas com o capitão Vellasquez, e fui prontamente depositar no meu palácio, a maior relíquia dos meus sonhos, a preciosa Maria Alice, entregando-a à guarda das fiéis amas, a quem ordenei que de ora em diante, elas teriam de lhe obedecer cegamente.
Juntamente com meus leais e corajosos amigos, o marquês de Abranches e o duque de Valdevez, cavalgamos a todo o galope para terras de Mogofores, vila onde se situa o palácio do Conde Diego Maltini, que apesar do corte de relações, continua sendo senhor meu pai, na peugada do conde de Monte Verde.
Quando entrei no terreiro fronteiriço ao palácio, deparei com o covarde do conde Monte Verde emboscado atrás de uma árvore a disparar traiçoeiramente sobre o meu pai que saia nesse momento pela porta principal.
Perante tal acto repugnante avancei enérgicamente sobre o monstro assassino, que temeroso como todos os da sua casta, apontou a arma à cabeça e se suicidou vergonhosamente, por ter medo de me defrontar.
Abracei com grande emoção e agradeci efusivamente todo o apoio generoso dos meus leais companheiros e amigos, e regressei solitário ao meu palácio.
Finalmente, tinha à minha espera a mulher que me ama loucamente, e por quem eu dou a própria vida.
Com todo o amor,
Lorenzo
NOTA :
Olá Nayá
Como brilhante iniciadora desta história, e autora de "o Lacre" e "o Início", sugiro que nos brindes com um epílogo, ao teu estilo, cheio de pompa e circunstância.
Beijo,
Lito
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