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2006年3月 Breves Memórias de um Reformado VBreves Memórias de um Reformado
Não Aposentado
5ª Parte - Férias
Agosto/Setembro de 1958 concluidos os sete anos de curso liceal e completados os 18 anos de idade, fui generosamente presenteado pelos Pais com um magnifico Plymouth modelo 1936, velho mas bem conservado automóvel, entro em gozo das desejadas e bem merecidas férias de verão.
Pronto para disfrutar 30 dias, na calma e tranquila praia do Furadouro onde habitualmente faço a época balnear, ali, vou encontrar os amigos, as amigas, e, como todos os anos, ensaiar novas conquistas e namoricos de férias.
Havia distintamente dois grupos rivais respectivamente constituidos por quem vivia a norte ou a sul da cidade de Aveiro, a capital de Distrito.
Nessa época as rivalidades eram defenidas e marcadas pela positiva, isto é, cada grupo procurava fazer mais e melhor que o outro, porque a juventude não era adepta de desordens gratuitas, nem vandalismos selvagens de destruição violenta..
Sabiamos divertir com alto grau de civismo, que infelizmente se foi perdendo com os tempos.
Essencialmente faziamos praia,, mar, piscina, alguns desportos, e para as noites, estavam reservados os melhores momentos: enquanto passeavamos pela avenida, fazia-se o ataque cerrado e contínuo à conquista de namoradas, para no final do mês ser apurado o campeão dos engates.
Nestes passeios na Avenida pela madrugada dentro, quase todas as noites, por entre risinhos excitados ou choros nervosos, se iniciavam e terminavam namoros.
Na altura não imaginavamos que elas faziam uma competição idêntica ...havendo mesmo nos dois campos verdadeiros artistas na matéria.
Neste ano com o carro (rápidamente baptizado de Dona Elvira) fui o conquistador mor, pois todas as moças se enamoraram pelo bólido ... o Lito não tinha mãos a medir.
Como não existiam discotecas as mamãs das meninas organizavam bailes três vezes por semana, no salão do Pavilhão de Desportos do Furadouro.
Estes bailaricos eram os momentos mais anciosamente aguardados por todos nós.
Era nestes bailes que se revelava a grande perícia de todos os envolventes: as mamãs, as meninas, e a malta.
As meninas para põr em prática a melhor forma de escapar aos olhares atentos da mãe, e ao mesmo tempo, na defesa aos atrevidos e mal disfarçados golpes de mão do par enquanto dançavam.
Os rapazes a pensar na forma de agradar e tirar o máximo proveito, e ao mesmo tempo esconder o jogo à velha, sempre vigilante.
Finalmente as mamãs preocupadas em ocupar lugares estratégicos em redor do salão por forma a simultâneamente conversar umas com outras, e nunca perder de vista o que ia acontecendo na pista de dança ... talvez recordando com nostalgia os devaneios da juventude.
Que noites fantásticas, onde com mais ou menos estratégia, todos conseguiamos alegremente divertir em cheio.
Quando um rapaz conquistava os amores de uma moça do grupo rival, o acontecimento era condignamente celebrado com o herói a pagar cervejas a toda a malta do grupo, e tinha direito à realização de uma momumental serenata dedicada à mulher dos seus encantos.
Em beleza, mas vertiginosamente, decorreram os 30 dias de praia, servindo os últimos 2 ou 3 dias para uma troca de lembranças e juras de amor eterno entre os pares mais apaixonados; nestas despedidas chegava a haver muito choro e lágrimas derramadas ...
Este foi o último ano em que gozamos as férias de verão nesta modalidade de grupos organizados, porque com a idade os interesses da malta passaram a ser distintos, mais individuais e personalizados.
Setembro chegou, e eu já tinha préviamente combinado com um primo e outro amigo comum, irmos fazer campismo no sul de Portugal, nas praias do Algarve banhadas pelas águas temperadas do Mediterrâneo.
Nessa época, por cá, os parques de campismo estruturados, estavam a dar os primeiros passos de forma que optamos por um campismo semi selvagem em locais sem grandes infra-estruturas, mas era uma aventura onde pervalecia o espírito de sacrificio e a iniciativa
Escolhido empiricamente o local nas proximidades de uma povoação, e onde já estivessem instalados outros inquilinos, armava-se a tenda e faziamos pela vida.
Na primeira vez que me tocou cozinhar resolvi fazer uma omelette com salsichas, e ao bater os ovos nem reparei em numerosos fragmentos de casca de ovo misturados e só notamos ao comer... muitas reclamações
Por lá passamos 15 dias que foram muito divertidos e bem preenchidos, onde conhecemos muita malta nova, alegre e descontraída.
Aliás, na prática de campismo travei grandes amizades que perduraram largos anos por muitos convívios em parques de campismo pela Europa fora.
Durante 15 dias, mais ou menos, vivemos com a natureza, e quando acabou o dinheiro, juntamos os tarecos e regressamos a casa só com dinheiro à justa para gasolina.
Sempre tesos ...mas felizes.
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