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2006年3月 Breves Memórias de um Reformado IVBreves Memórias de um Reformado
Não Aposentado
4ª Parte - Liceu e Universidade
Dia 7 de Outubro de 1950 ao transpor pela 1ª vez os portões do Liceu Alexandre Herculano senti no meu intimo que aquele menino despreocupado vai dando lugar a um pequeno homem com alguma maturidade.
Na entrada o contraste é enorme entre os alunos veteranos que avançam descontraidamente em grande algazarra, e a quase centena de novatos, como eu, que pela 1ª vez enfrentam nervosos a rigidez e disciplina do Liceu.
Timidamente olham em redor até surgir um eficiente contínuo para os conduzir ao local onde estão expostas as pautas com a composição das turmas e respectivas salas.
Falo em rigidez e disciplina porque em Portugal, nesse tempo, o ensino primário e liceal era ministrado em estabelecimentos separados conforme o sexo dos alunos:
Escolas e Liceus masculinos para os rapazes e escolas e liceus femeninos para meninas. Só nas Universidades e Institutos Técnicos o ensino passa a ser comum a alunos e alunas.
Como não podiamos entrar nos recintos vedados dos liceus femeninos, no final das aulas a malta aglomerava-se em frente aos portões esperando a saída das amigas ou namoradas.
Quantas vezes se gerava grande confusão por haver dois pretendentes à mesma garota, e nessas ocasiões, logo faziamos um cerco em redor dos dois galos, e a luta era inevitável, para gáudio da restante malta.
A adaptação à nova realidade operou-se rápidamente e o meu relacionamento com professores e colegas fácilmente se alastrou, sendo de salientar que, nessa época, respeitavamos as professoras e os professores como aos nossos próprios pais, numa disciplina de rigor.
O horário escolar era idêntico em todos os liceus do País (9 H - 12 H e 14 h - 17 H) sendo um dia da semana livre (Quarta) dedicado a actividades desportivas e recreativas.
Participei sempre com muito empenho em algumas modalidades, nomeadamente, natação, futebol e hóquei em patins, práticas em que me distingui com razoável êxito nos campeonatos académicos.
Entretanto na República as coisas decorriam agora mais calmamente, já sem o tal rigor dos primeiros dias, mas ainda, com a ameaça da praxe cair em cima de mim a qualquer momento.
Recordo uma vez que tive de fazer uma declaração de amor, em nome de meu irmão mais velho, a uma moça de 18 anos, muito bonita por sinal.
Mais uma vez recorri à mana e prima que fizeram a minuta para eu ensaiar ... parece que fui bem convincente porque ganhei grande beijoca da menina.
Nos estudos sempre tive o apoio de todos, tanto no esclarecimento de dúvidas, como em bons conselhos que me foram sendo muito úteis em toda a vida académica.
Anciosamente aguardava os fim de semana que ia passar na aldeia, em Mosteirô, em casa dos meus pais, e os veteranos diziam que eu ia mamar !!! não era bem isso, mas quase ...
Aproveitava para retomar alguns dos hábitos de criança, ainda frescos na minha memória, e gostava de descalçar os sapatos para jogar a bola, na rua, com os meus amigos da aldeia.
Passado o primeiro ano comecei a ser considerado residente da república com plenos direitos e sem quaisquer restrinções ou penalidades. Até completar os 15 anos, para sair à noite ou ir ao cinema tinha de pedir aos mais velhos.
Os anos foram passando, e na medida em que terminavam seus estudos, os residentes iam abandonando a república.
No mês de Julho de 1958 (ia fazer 18 anos em Agosto) conclui os sete anos do curso liceal ....
.... enfim férias
Ganhei um carro
Legenda de Fotos
1 e 2 - A nossa República
posteriormente este edifício foi vendido para ser uma
pensão agora encerrada e quase em ruínas.
3 e 4 - Rotunda da Boavista - Jardim ... que foi dos meus
amores
5 - Dona Elvira - meu 1º carro - la Belle Epoque
Lito deixa crescer
barba
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