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novembre 2007 O que desejo de presente para o Natall 2007 e Ano 2008Bom diaQueridas AmigasCaros AmigosAinda me conhecem???Lembras um tal Lito, brincalhão, um pouco atrevido,e no dizer da querida amiga Pukkaum «PESTINHA!!!»Desde Janeiro 2007 não escrevo nestas páginas,e quase deixei de visitar amigos...Andei a navegar por outas órbitas da Net, e também muita preguiça...Porém, as saudades falam mais alto que a minha preguiça,e cá estou com um pequeno texto,para reeniciar minha "reentrée"Bem vindos a vossa casa!!!O que eu desejo para este Natal, e Novo Ano que se aproxima são apenas 5 coisas...Não é muito pois nâo???- 1º - Muita saúde, alegria, e prosperidade,para mim, a Família e amigos.- 2º - Mais justiça e melhores condições de vida,para os desprotegidos deste mundo.- 3º - Mais solidariedade e civismo entre povos e pessoas de todo o mundo.- 4º - Acabar em todo o mundo,com a guerra, a fome, e a miséria- 5 - Um universo com melhores e mais honestos governantesSe todos colaborarmos para isso, será mais fácil...Simples não é???Abraço,Beijo,Litojanvier 2007 DIA MONÓTONODia Monótono em Mosteirô
Mosteirô, 18 horas de um dia muito frio e chuvoso, sinto-me assaltado pelo enorme tédio de uma tarde húmida e sombria, sem nada de concreto para fazer ou ocupar o tempo até hora de jantar.
Devo esclarecer que nesta pequena aldeia rural, exceptuando um barulhento e pouco higiénico café na sede do Club local, não existe qualquer outro ponto de convívio ou distracção, e teria que me deslocar 5 Km até à cidade mais próximo (Santa Maria da Feira), para conversar com amigos ou dar uma volta pelo Centro Comercial, o Feira Nova, um bom espaço, sortido de diversas lojas e 2 salas de cinema com sessões contínuas.
Como não me apetece sair de casa, resta, uma boa leitura, entreter-me com jogos de computador, ou divagar pela Net.
Estou com demasiada preguiça para ler, embora de momento tenha entre mãos um belo romance de emocional realismo "A Barca dos Homens" do escritor brasileiro Autran Dourado.
Os jogos instalados no computador são dos meus netos, e como estou sempre a perder...depressa me chateio.
Dicidi escrever aqui qualquer coisa, mas também não me ocorre nenhum assunto que possa surtir qualquer interesse.
Então instalei-me cómodamente na minha secretária para iniciar uma longa viagem pelos Sites e páginas de Orkut dos meus amigos.
Comecei por reler os inúmeros e amáveis comentários que sempre me foram dirigidos com muito carinho.
A Todos muito Obrigado.
Sem qualquer roteiro defenido, comecei a viagem em Portugal por Aveiro, Porto e Lisboa, cruzando de seguida o atlântico, até terras do Brasil.
Sobrevoei Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Santa Catarina, e muitas outras cidades.
Em todas conversei com meus queridos amigos, e tive oportunidade de me solidarizar pelo infortúnio do nosso amigo Yon e desejar-lhe rápidas melhoras .
Também tive o prazer, muitas vezes repetido, de reler com agrado os interessantes textos, e belas poesias, publicados.
Só não parei em Brasília com receio de maus encontros...um tal Lula...
E agora me chamam para jantar...convido todo o pessoal, que se deu ao trabalho de ler estas linhas!!!
Abraços,
Lito
décembre 2006 M O S T E I R ÔMOSTEIRÔ SANTA MARIA DA FEIRA
Um pouco de História de Portugal, e da minha Terra
Origens
O Castelo da Feira se ergue no local de um templo indígena dedicado ao deus Bandeveluco-Toiraeco. A partir de 1117, desenvolveu-se aqui uma das mais importantes feiras de Portugal, que, com o tempo, dará mesmo nome ao burgo que nasceu à sombra do castelo.
Antecedentes A primeira referência documental à sua fortificação consta da vitória de Bermudo III de Leão (1028-1037) sobre um chefe mouro em terras do Castelo de Santa Maria (1045). Será deste período a construção da parte inferior da Torre de Menagem com funções de alcáçova, protegida por uma cerca amuralhada. Embora a primitiva ocupação humana remonte à pré-história, adquiriu maior relevância quando os Lusitanos aqui ergueram um templo em honra da divindade Bandeveluco-Toiraeco. À época da ocupação romana da península Ibérica, passava por aqui a via que unia Olissipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga), conforme os testemunhos arqueológicos que remetem esta ocupação ao período do Baixo-Império.
O castelo medieval O Castelo da Feira, sendo um local de pagamento de tributo era local privilegiado para o comércio de produtos vários, pelo que em seu redor se foi instalando a população, dando origem à actual cidade de Santa Maria da Feira. A Terra de Santa Maria é, muito mais que uma lição de história, é perceber a ligação do homem com o seu meio e com os outros homens. O povoamento da Terra de Santa Maria é já muito antigo, como atestam a presença de vários monumentos funerários (mamoas), que remontam ao IV-V milénio antes de Cristo, bem como castros (povoações fortificadas) pré-romanos ou romanizados. O império trouxe as vias romanas, por necessidades militares ou comerciais e são ainda visíveis vários troços de vias e pontes dessa época, muitos dos quais ainda bem conservados Da idade media ficaram-nos testemunhos da arquitectura militar, de que o castelo da feira será o mais imponente e representativo. Mas é na arquitectura religiosa que a monumentalidade atinge a sua máxima expressão: conventos, igrejas, cruzeiros, do românico ao barroco, são muitas vezes o espelho do passar do tempo, através de intervenções sofridas em épocas variadas.
Terra de Santa Maria Terra de Santa Maria, que abrange os actuais concelhos de Albergaria-a-velha, Arouca, Castelo de Paiva, Espinho, Estarreja, Gondomar, Murtosa, Oliveira de Azeméis, Ovar, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Sever do Vouga, Vale de Cambra e Vila Nova de Gaia, é fruto de uma designação antiga que remonta ao sec. XI. Aproveitando-se do clima de guerra civil que se havia instalado no califado de Cordova, o Conde de Civitas Portucalenses, , atacando os sarracenos, conquistou-lhes as terras que estes se haviam apoderados ao norte e ao sul do Douro, entre as quais se incluiam as terras de Entre-Douro e Vouga. Tendo posto sob o patrocionio de Nossa Senhora as lutas que então travaram, decidiram em sinal de gratidão, chamar à terra assim conquistada "Terra de Santa Maria" - Civitas Sanctae Mariae. A Civitas Sanctae Mariae, está documentada desde ano 977 e mais tarde (1117), num documento de D. Teresa, o local é designado por "Terra de Santa Maria". A 10 de Fevereiro de 1514, D. Manuel I concede o foral à "Vila da Feira e Terra de Santa Maria". A origem mais provável do nome será a feira que se realizava ás portas do castelo e a partir da qual se terá criado e desenvolvido uma povoação. Essa feira tornou-se tão importante que a aglomeração e posteriormente a vila tomaram o seu nome. Após a reconquista, e com base na antiga divisão administrativa dos conventos, 2 polos de desenvolvimento se evidenciaram na região: O Castelo da Feira, e Mosteirô. Mosteirô, onde eu nasci e vivo, é a mais pequena freguesia do concelho de Santa Maria da Feira, com 2,95 km² de área e 2.300 habitantes . Densidade: 692,5 hab/km². Tomou o nome de um Mosteiro, do qual existem apenas ruínas. À época da Reconquista cristã da península, este centro religioso pagão foi transformado em um centro mariano, e desenvolveu-se aqui uma feira regional, cuja elevada expressão daria nome ao local (Feira de Santa Maria). O concelho composto por uma cidade: Santa Maria da Feira - 31 Freguesias A cidade de Santa Maria da Feira, centro vital das Terras de Santa Maria, é sede de um dos concelhos mais importantes de Portugal. Situa-se junto à orla marítima da Costa Verde, a 30 Km da cidade do Porto, 25 Km da cidade de Aveiro, e a 270 Km de Lisboa. É servida por um nó da Auto Estrada “Porto – Lisboa”, assim como pela Estrada Nacional nº1 e outras de categoria similar. População: 140.000 habitantes. A densidade demográfica concelhia, de 519 residentes por Km2, constitui uma média cinco vezes face ao valor nacional.
Monumentos: Rico e antigo de História, o Concelho apresenta-se com vários motivos de natureza monumental e paisagistico com destaque para: Castelo da Feira e Quinta do Castelo; Jardins Municipais; Convento dos Lóios; Igreja da Misericórdia; Monumento a Fernando Pessoa; Igreja Paroquial; Monumento das Alminhas aos mártires das Invasões Francesas; miradouros sobre o Rio Douro; Termas e Parque das Caldas de S.Jorge; Castro de Fiães, Castro de Romariz; Cruzeiro de Lourosa; Capela do Pinheiro das Sete Cruzes: Museu e Parque em Santa Maria de Lamas; Capela de Sto. Estêvão; Centro Histórico; Museu Municipal; Jardim Municipal; Monumento ao Espírito Feirense; Parque Ornitológico de Lourosa.
Principais Actividades Económicas: Indústrias de Cortiça, Vestuário, Calçado, e Lacticínios. Aqui se sedia o maior centro mundial de transformação de cortiça, para alem da pujança manifesta de sectores como , ferragens, brinquedos, madeiras, abrasivos, papel, alimentar, e outros, num conjunto de 12.000 unidades. Agricultura.
Artesanato Trabalhos em: Cortiça; mármores decorativos; objectos em ferro e latão; cerâmica decorativa; candeeiros em madeira; rendilhas; trabalhos florais; trabalho em arame; rede; madeira; pele; (crivos, peneiras, bombos e pandeiretas); mantas; cangas; jugos; cestaria; tamancos; vassoura; escovas: rodos; violinos.
Doçaria tradicional A doçaria regional do concelho é muito conhecida e apreciada. Destacamos as Fogaças e os Caladinhos. As fogaças são um pão doce feito com farinha, açúcar, manteiga, ovos, limão e sal. Tem uma forma arredondada, encimada por quatro bicos que representam as quatro torres do castelo. É este pão doce que as fogaceiras transportam à cabeça na procissão da Festa das fogaceiras. É um doce que tem uma longa tradição pois já era feito pelos nossos antepassados antes de eles fazerem o voto a S. Sebastião. Os caladinhos são uma espécie de biscoitos, de consistência mole, com uma forma arredondada e achatada. São feitos de farinha, açucar e ovos.
Principais festividades: Por todo o concelho são realizadas festas e romarias em honra de diversos santos padroeiros (Nossa Senhora da Conceição, nossa senhora das Neves, S.Tiago, S. Ovidio, etc) ou alusivas à vida quotidiana (Festa das Cerejas, Festas das colheitas, etc Festa das Fogaceiras - 21 de Janeiro: esta festa atrai milhares de forasteiros para assistir ao cortejo e a procissão, vestidas de branco com uma faixa à cintura levando à cabeça uma fogaça enfeitada. O cortejo é fechado por 3 raparigas que transportam à cabeça uma miniatura do Castelo.
Aqui, neste cantinho à beira mar plantado nasci, aqui vivo.
Lito
décembre 2006 INTEMPÉRIASA título de ligeiro rescaldo dos efeitos do temporal que fustigou recentemente todo o território Português, com mais violência nas regiões do norte, ocorre-me salientar sobre a importância, ao longo dos tempos, como a bacia hidrográfica do rio Douro tem influenciado as áreas que banha, desde a montante em Espanha, até jusante na Foz do Porto.
Na manhã do dia 22 de Novembro enquanto tomava o pequeno almoço ouvi na TV um alerta do Instituto de Meteorologia advertir os cidadãos, que a partir do meio da tarde, todo o território seria assolado por chuvas fortes, e ventos capazes de atingir os 120 Km/H.
Entretanto anuncia que o Governo decretou o estado de alerta amarelo para a Protecção Civil, o 3º ao nivel da escala, e anunciava algumas medidas básicas para defesa e protecção de pessoas e bens.
Felizmente sem registo de danos pessoais, foram porém, demasiado elevados os estragos e prejuizos materiais por todo o país, com agravamento nas zonas ribeirinhas, mais fácilmente inundadas pelo transbordar do leito dos rios e lençóis de água.
Com efeito as condições metereológicas foram-se agravando ao longo do dia, especialmente nas regiões norte e centro do país onde rápidamente se anunciou segurança ao nível laranja, o 2º mais amplo na escala de risco.
Em Mosteirô minha terra, pequeno aldeamento rural a 30 Km do Porto com cerca de 3.000 habitantes, os prejuizos limitaram-se ao derrube de cerca de uma dezena de árvores e alagamento de alguns terrenos baixios, ou em zonas ribeirinhas, com a perda das suas culturas.
Habitações e respectivos recheios, escaparam incólumes à fúria do tempo.
No Porto e toda a bacia hidrográfica do Douro, os vestígios foram bem mais acentoados.
PORTO e rio Douro Prejuizos Porto e Gaia Depois da avalancha de água e lama que, na véspera, tomou conta das zonas ribeirinhas do Porto e de Gaia, o dia de ontem foi dedicado à limpeza das zonas que o Douro invadiu. Os serviços municipais de limpeza e as corporações de bombeiros afadigaram-se a remover o lodo que o rio depositou nas áreas públicas, enquanto os comerciantes faziam contas aos estragos provocados pela cheia. Hoje, porém, a região volta a estar sob alerta laranja, por força do agravamento previsto das condições meteorológicas, não sendo de excluir a possibilidade de ocorrerem novas cheias no Douro. O Douro (Duero, em castelhano) é um rio que nasce em Espanha, na província de Sória, nos picos da Serra de Urbião (Sierra de Urbión), a 2.080 metros de altitude e atravessa o norte de Portugal. A foz do Douro é junto à cidade do Porto. Tem 850 km de comprimento. Segunda a história o seu nome deriva do seguinte: - Nas encostas escarpadas, um rio banhava margens secas e inóspitas. Nele rolavam, noutros tempos, brilhantes pedrinhas que se descobriu serem d´ouro. Daí o nome dado a este rio: Douro. A UNESCO designou em 14 de Dezembro de 2001 a região vinhateira do Alto Douro (45°68' N, 5°93' W) na lista dos locais que são Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural. A Bacia Hidrográfica do Douro tem uma superfície de aproximadamente 18710 km² Nasce na Espanha, nos picos da serra de Urbión, (Sória), a 2080 metros de altitude e tem a sua foz na costa atlântica, na cidade do Porto. O seu curso tem o comprimento total de 850 km. Desenvolve-se ao longo de 112 km de fronteira portuguesa e espanhola e de seguida 213 km em território nacional. A sua altitude média é de 700 metros. No início do seu curso é um rio largo e pouco caudaloso. De Zamora à sua foz, corre entre fraguedos em canais profundos. O forte declive do rio, as curvas apertadas, as rochas salientes, os caudais violentos, as múltiplas irregularidades, os rápidos e os inúmeros "saltos" ou "pontos" tornavam este rio indomável. Aproveitando o elevado desnível, sobretudo na zona do Douro internacional, o desnível médio é de 3m/km, a partir de 1961, foi levado a cabo o aproveitamento hidroeléctrico do Douro. Com a construção das barragens, criaram-se grandes albufeiras de águas tranquilas, que vieram incentivar a navegação turística e recreativa, assim como a pesca desportiva. Excluindo-se os períodos de grandes cheias, pode dizer-se que o rio ficou domado definitivamente. No seu curso, entre Bemposta e Picote, pode ser visto, nas suas águas espelhadas, tudo o que rodeia este ambiente: as nuvens, o sol, (que queima os olhos, reflectido na água), os montes, as fragas, as aves (patos, garças, águias, abutres, gaivotas). Nas fragas mais altas podem ser vistas aves de rapina, guardando os seus ninhos. Por outro lado, no rio, espécies indígenas, como o escalo, a enguia e a truta, têm sido dizimadas ou pela pesca à rede descontrolada e/ou pela modificação das condições ambientais (parte do ano estão perto do limite de resistência de algumas espécies). Após a construção da barragem, foi feita a introdução da Carpa que, podendo atingir acima dos 20 kg, tem a propriedade de se alimentar de tudo, fazendo a limpeza das barragens mesmo em condições precárias de oxigenação das águas. Mais recentemente, surgiram o Achigã, a Perca, o Lúcio (peixes carnívoros) e o Lagostim vermelho, (todos eles originários de outros países). Pode ainda encontrar-se, com abundância, a boga e o barbo e até mexilhão (idêntico ao do mar). Porém, passar junto a fragas gigantes, tingidas de várias tonalidades, pela separação de fragmentos de rocha, causadas por dilatações e contracções bruscas, motivadas pelo clima, é esmagador. Viajando até junto do Douro, que serpenteia entre as arribas, pode ver-se onde vivem e/ou nidificam abutres, grifos, águias, pombos bravos, andorinhas, etc., e nas ladeiras do mesmo, a perdiz, a rola, o estorninho, o melro, o papa figo, etc. Dentro das matas de zimbros, estevas, carvalhos, sobreiros e pinheiros e outras variedades de vegetação das encostas do Douro, podem ainda encontrar-se espécies cinegéticas, que são uma das maiores riquezas naturais da região: o corso, o javali, o coelho, a lebre, o lobo, a raposa, o texugo, a gineta, etc. O Rio Douro foi, e é, uma fonte de riqueza para a região e para a aldeia. Antigamente, fazia mover as azenhas que se espalhavam nas suas margens, tais como as azenhas do Sr. António Luís, dos Fróis, dos Melgos e dos Velhos, permitia a pesca, irrigava campos ou enchia os poços das melhores hortas de Bemposta, existentes perto deles, onde se cultivavam as novidades e as árvores de fruta, base de sustento das populações. Mais tarde, com o aproveitamento hidroeléctrico, Bemposta passa a contribuir para a riqueza nacional, distribuindo energia eléctrica ao país. Proporcionou também maior abundância de peixe, através das albufeiras, criando alguns postos de trabalho com a pesca profissional, a que se dedicaram algumas famílias. Em território Português, o Rio Douro entre a fronteira com Espanha e Porto, possui as seguintes Barragens
Eu Ismael, tive a distinta honra de colaborar na construção das Barragens de Régua, Valeira, e Crestuma-Lever
Douro vaza lentamente e teme-se a preia-mar das 17h54 O Centro de Previsão de Cheias (CPC) do Douro equaciona novos problemas nas zonas marginais de Porto e Gaia a partir das 17h54 de hoje, hora da preia-mar, já que o escoamento do forte caudal ocorre lentamente. Segundo o CPC, o rio está em vazante, mas o escoamento das águas é escasso, as barragens a montante continuam a fazer descargas contínuas e o afluente Sousa está também a debitar muita água no Douro, o que "pode agravar" a situação sobretudo nas zonas inferior e média do estuário. Mau tempo: rio Douro inunda cais da Régua O cais turístico da Junqueira, na Régua, foi inundado ao final da tarde pelas águas do rio Douro, obrigando à evacuação de dois estabelecimentos. No Porto e Gaia, os serviços de protecção civil continuam em alerta. Os bombeiros evacuaram, cerca das 19h00, um bar e uma loja de artesenato situados junto às margens do rio. Lito
DEPOIMENTO DE MÁRCIA
Douro 850 km Altitude da nascente 2080 m Débito médio 710 m³/s 97682 km² Nascente Foz PortoPorto Meus amigos Este é o depoimento de uma brasileira, a minha querida amiga Márcia, a Tì...ssima, que sofreu as consequências do temporal no dia 23 com grandes atrasos de horário provocados por estragos na linha ferroviária, quando queria embarcar na estação da Campanhã, Porto, para viajar no combóio Porto-Lisboa. Parece que o efeito "Vendaval Tí...ssima" surtiu efeito ... Um grande beijo para ti querida Márcia, e as maiores felicidades.
Lito
Tí...ssima
Lito, meu querido!
Na ocasião deste efeito da natureza, percebi o qto somos vulneráveis diante dos efeitos que nós mesmos causamos na natureza.
Naquela tarde estava seguindo viagem e fiquei presa em Campanhã com o peso de 60 quilos distribuidos em 3 malas e com o gosto amargo de derrota por nao poder seguir meu caminho.
Verifiquei que os mais velhos revoltaram-se pela falta de estrutura pra remanejar os passageiros para autocarros. Os mais jovens, no entanto estavam como que alheios ao que estava se passando. O atendente do apoio ao cliente da CP estava completamente sem qq informção para poder esclarecer as dúvidas de todos.
Nao pude deixar de fazer comparaçoes entre aquelas pessoas que estavam ali e os moradores de SP, que sofrem com a mínima chuva, pq não há como escoar água, já que os bueiros estao constantemente sujos, os rios e afluentes estao completamente lotados de todos os tipos de lixo. O asfalto torna o chao impermeável enqto a terra se mantem seca e árida por baixo dele.
Em 08.01.97 SP teve uma inundaçao que nunca esquecerei. Lembro-me que a chuva começou a cair torrencialmente por volta das 17 horas. Um dos túneis que liga a zona norte e leste à zona sul ficou com cerca de 3 metros de agua, carros sendo arrastados pela correnteza, bombeiros com barcos tentavam salvar os motoristas, desgraçadamente algumas pessoas nao conseguiram ser salvas.
Naquele dia vivemos um inferno, eu havia saído do trabalho às 18 horas (meu percurso era inverso ao da maioria, era da zona sul pra zona norte) e mesmo assim só consegui chegar em casa às 3 da manhã.
O que observei no dia 23 em Campanhã com a falta de comboios pra Lisboa, foi que embora aborrecidos e atrapalhados, os portugueses foram compreensivos, como que estivessem cientes que estavamos vivenciando as consequencias de tanto estrago que fazemos todos os dias à natureza. Enqto que os moradores de SP, que são 98% responsaveis pelos efeitos das chuvas, nao assumem, nao procuram se corrigir e evitar que na manha seguinte aconteça o mesmo.
Esta foi a imensa diferença que pude observar entre os dois povos.
E fiquei contente pela conclusão que cheguei. O povo português tem pelo menos muito mais bom senso que o povo brasileiro.
Um beijo enorme pro meu putinho querido!!!
Márcia
octobre 2006 O VinhoDedico a todas as minhas amigas, e amigos, apreciadores de vinho.
O Vinho
Ao longo do mês de Setembro, decorreram as vindimas, em satisfatórias condições atmosféricas para o efeito, já que os dias solarengos e as noites um pouco frias, mas sem chuva, constitui o tempo ideal ao regular amadurecimento das uvas, preservando o aroma e alguma acidez.
As vinhas estavam verdejantes de cachos repletos por carnudos bagos, coloridos, sumarentos, com a pele bem rija, e uniformemente bem amadurecidos.
Durante uma semana e mais dois dias, em ritmo de exaustiva maratona, decorre a colheita dos cachos, sendo primeiro a uva branca e de seguida a tinta, ou uva preta.
Os grupos de pessoal na apanha da uva são maioritáriamente mulheres criteriosamente distribuidas pelas vinhas, colhem cuidadosamente os cachos que são depositados em cestos de verga, e os homens vão transportando para o tractor.
Carregado o tractor, desloca-se em marcha cuidadosa e lenta para os lagares, onde préviamente se efectua a separação do engace (cacho) e dos bagos, que vão a esmagar em máquina apropriada.
O mosto resultante, (assim se denomina o sumo antes da fermentação) um líquido espesso, pegajoso e adocicado, escorre para um lagar, e a partir daí, a uva branca tem um tratamento distinto da uva tinta, ou preta.
No caso do vinho branco, o mosto é de imediato separado das cascas, e trasfegado (bombeado) para vasilhas apropriadas (pipas e toneis em casco de carvalho, ou cubas de aço inox), onde fica a fermentar por tempo variável conforme a temperatura do ambiente e outros factores mais técnicos.
No fabrico do vinho tinto, após o esmagamento da uva, o mosto fica depositado no lagar juntamente com a casca em processo de maceração, ou seja, a fermentar juntamente com a película, num período de 2 que poderá ir aos 4 dias.
Passado este período de maceração, o mosto será pisado em conjunto com a película, a fim de ganhar mais cor e paladar, especificos dos vinhos tintos.
Esta operação de pisar, em vinhos elaborados artesanalmente, é efectuada por homens com os pés descalços, préviamente lavados, e convenientemente desinfectados.
Em adegas industrializadas, estas operações são necessáriamente mecânicas.
Depois de pisado, e para se obter uma fermentação mais homogénea desta massa constituida por mosto e película, convém fazer 2 vezes por dia, durante 4 dias, a remontagem, que é remexer o mosto juntamente com a parte sólida, e só depois se efectua a trasfega do mosto para as vazilhas de fermentação.
O bagaço,resíduo obtido após todo o processo, é constituido pela casca e sementes da uva, passa ainda por uma prensa, onde é espremido sob grande pressão, ficando seco e completamente esvaziado de todo o líquido.
A destilação deste bagaço a alta temperatura em alambiques próprios, dá origem a aguardente bagaceira, vulgarmente dita de, bagaço.
Finalmente, no repouso das vazilhas, se dá o milagre da total fermentação do açucar em álcool, transformando o mosto em saboroso e puro vinho
août 2006 18 de Agosto de 2006 - AGRADECIMENTORECONHECIMENTO E AGRADECIMENTO
Queridos(as) Amigos(as)
Venho por este meio agradecer a todos(as) que me dirigiram no passado dia 16, os parabéns, e outras manifestações de carinho e amizade, através de presentes, mensagens, telefonemas, ou qualquer outra via, para felicitar meu 67º aniversário.
A todos(as) estou grato e muito reconhecido.
Abraços e Beijos,
Lito juillet 2006 Homenagem a GIL de ANDRADE e SILVADedico estas memórias a MARIA ROSA, minha mãe, felizmente ainda de boa saúde, e toda a família, especialmente meus filhos, MARIA JOANA - ANTÓNIO GIL, e netos, RODRIGO - AFONSO - FRANCISCA.
Lito
A escassos dias de celebrar uma data com valor sagrado e significado incomensorável, para minha família, não encontro as palavras adequadas, para registar tão importante efeméride.
Tenho andado inteiramente concentrado em preparar este evento familiar, que pretendo simples mas bem solene, por forma a marcar em nossas memórias, (em especial na mente dos membros mais jovens), o CENTENÁRIO do nascimento de meu pai, GIL de ANDRADE e SILVA, e simultâneamente os 72 anos do casamento com minha mãe MARIA ROSA.
Meu pai era o sétimo dos 10 filhos, de uma família tradicionalmente católica, e de medianos recursos económicos.
Marido exemplar, sempre lutou bravamente pelo bem estar da família.
Como Pai, foi exigente sem ser austero, e sempre pronto a recompensar generosamente os êxitos dos filhos.
Incentivava e estimulava os filhos, sem esquecer de repreender e punir, quando caso para isso, sempre com grande sentido de rigor e justiça.
De fácil relacionamento, considerava toda a gente, dando-se ao respeito, e exigindo intransigentemente ser igualmente respeitado.
Deixou numerosa descendência, felizmente muito unida, de seis filhos, sendo 4 homens e 2 mulheres, nove netos, e sete bisnetos, até esta data.
Infelizmente dois filhos morreram ainda rapazes.
Pai, a doença levou-te à 32 anos, faz muito tempo, mas vives eternamente na nossa memória, e lá no local onde te encontras, estás certamente, orgulhoso e feliz.
Paz na tua alma.
Lito
P.S. - Meu filho Gil acaba de me corrigir que o Avô Gil morreu faz 34 anos, não 32, e ele está certo porque me enganei nas contas.
Peço desculpa.
Lito
LEGENDAS
1 - Gil Solteiro
2 - Maria Rosa Solteira
3 - Gil - Maria Rosa
4 - Maria Rosa - Lito
5 - Árvore Geneológica
6 - Mosteirô - minha casa juin 2006 Assalto à FrutaDedico este pequeno relembrar da minha infância, a querida e estimada Valéria Paladini, em reconhecimento pelo carinho que sempre me dispensou.
Como faço todos os dias pela manhã, ontem, enquanto deambulava em atenta vigilia pelas vinhas e pomares da minha quinta, que trato com muitos cuidados e carinho, assaltam-me à memória, hilariantes episódios de juventude.
Nesse tempo meu pai, homem de meia idade forte e jovial, dedicava-se com muito amor à exploração agrícola da quinta, que pôs a funcionar de forma racional e com métodos avançados para a época.
Os tratores agricolas davam os primeiros passos, não existiam as câmaras frigorificas para armazenar a fruta colhida, e eram utilizados métodos muito mais rudimentares.
Posteriormente, quando após a minha reforma recuperei a exploração, adquiri todos os equipamentos modernos necessários, e instalei 5 cãmaras frigoríficas que comportam no total 100 toneladas de produto.
Recuei até aos meus 7 anos, quando a vida era uma alegre e continuada festa, e a única preocupação, era inventar maneiras de escapar a ralhos e castigos de meus pais.
Naquele incansável esvoaçar de pardais, totalmente livre e feliz, sempre procurando novas emoções, levei uma infância dourada.
Logo após cumprimento dos deveres escolares, reunia o meu grupo de amigos, e partiamos para a grande aventura.
A primeira coisa que eu fazia era descalçar os sapatos, para em igualdade de circunstâncias ser considerado um deles, mais um da seita.
Devo referir que nesse tempo, na minha povoação, as crianças só calçavam sapatos ao domingo para ir à missa, e nem todos.
Assim, desaparecia completamente a distinção e complexo entre menino rico e pobre, e partiamos sem rumo traçado, mas cheios de ideias ousadas e atrevidas.
Um desafio de futebol era sempre o início do programa, e eram jogos muito disputados com pontapés na bola, e muita gritaria à mistura, terminando muitas vezes em grandes discussões, quando não, pancadaria.
Tudo passava rápidamente, e nova aventura era engendrada, naquelas cabecitas levianas.
Mal a primeira fruta despontava nas árvores, eram logo organizadas as primeiras invasões aos pomares vizinhos.
É claro, em Mosteirô, os pomares vizinhos situavam-se na "Quinta da Alameda" , ou como era mais conhecida na região, "Quinta do Gil", nome do meu pai.
Partiamos, qual bando de gafanhotos, por locais ermos fazendo pouco barulho, e, alegremente com todo o bando, eu invadia meus próprios pomares e vinhas.
Colhiamos aqui e ali, a fruta ou uvas, que tinhamos inteiramente à disposição, e podiamos comer indescriminadamente, em variedade e quantidade, madura ou verde, até saciar.
Mais tarde meu pai me contou, que ao longe, tudo observava, e ria divertido, mas pronto a intervir caso praticassemos actos de puro vandalismo.
Em casa minha mãe, (felizmente ainda viva), insistia comigo:
- Meu filho come uma frutinha que faz muito bem ....
Lito
juin 2006 Às Portas do VerãoTenho o prazer de dedicar este escrito a minha querida amiga Inez (PUKKA).
Querida, como não gostas dos rigores de Inverno, convido-te a tomar um sorvete na minha mesa da esplanada.
Estamos a 15 dias do início do Verão, em portugal, e as temperaturas têm rondado os 30º, atingindo os termómetros, em alguns dias, os 40º.
Perante este cenário, tenho aproveitado algumas oportunidades, por enquanto poucas, para dar um salto até ao Furadouro (praia que frequento desde criança) a gozar as delícias de uma concorrida esplanada, com amplas vistas para o mar.
Mar, que está sereno, com pequenas ondas a brincar na areia, que as recebe com sofreguidão, para refrescar os seus finos grãos, do sol tórrido.
Algumas crianças já correm e saltam, chapinahando na água, sob a vigilância atenta dos nadadores salvadores.
Cá em cima na esplanada, corre um leve manto da brisa suave que me envolve, sentado numa mesa bem protegida pela sombra de um guardasol, e na companhia de uma grande amiga, a Lena, mulher de 52 anos, que me vai aturando com infinita calma e paciência.
Vou saboreando lentamente a frescura de uma cerveja, enquanto Lena, fixando qualquer ponto longínquo nas ondas do mar usando uma das mãos como pala em cima dos olhos, na outra, segura um sorvete que começa a derreter.
Alheio ao que se passa em redor, pela minha cabeça vão desfilando acontecimentos ocorridos 50 anos atrás, naquela mesma esplanada, que na época tinha um aspecto totalmente diferente.
Estava nestas cogitações, quando vejo a aproximar-se da esplanada, em paço lento, e parando de vez em quando, duas garotas de sessenta e tal anos, a falar como só as mulheres conseguem, as 2 a falar e ouvir simultâneamente.
Nada menos que Fernanda e Júlia, duas velhas amigas de juventude, , que reconheci imediatamente, ainda conservando um traço de beleza nos rostos, um pouco engelhados pelas rugas, e a marca dos anos.
Acerquei-me delas, que também me reconheceram, beijaram-me repetidamente com alguns gritinhos à mistura, e trouxe-as para a minha mesa.
Apresentei a Lena, e o resto do tempo quedei-me a escutar pacientemente, acenando com a cabeça quando se dirigiam a mim, pois antes de eu começar a falar, já o meu tempo de fala terminara.
Entre o muito palavreado ouvi a Fernanda dizer à Lena que tinha 59 anos, e a Júlia 58, só eu, da mesma idade tenho 66 anos.
Toda a gente entende estas contas ...
Adorei este encontro com as garotas, e como naqueles tempos tivemos namoros, não sei por quantos dias, ora com uma, ora com outra, combinamos os 3 um almoço, no dia 2 de Julho.
Sem dúvida, isto promete !!!
Lito
mai 2006 FUTEBOL - Desporto ou Negócio ?O Campeonato do Mundo de Futebol, está a escassos 15 dias do pontapé de saída, e os adeptos dos paises com a selecção apurada para esta fase final, vivem já na euforia da conquista do almejado título.
Até os Governos estão na expectativa, pois pretendem tirar dividendos politicos, e criar vagas ilusões nos cidadãos.
O futebol é um fenómeno social que arrasta aos estádios de todo o mundo, para o bem e para o mal, milhões de espectadores.
O futebol espetáculo deu os primeiros pontapés na Inglaterra, de inicio timidamente a contra gosto da sociedade estabelecida, mas rapidamente, conquistou praticantes e adeptos em todo o planeta.
Daí até à constitução de clubes, formação de selecções, organização de campeonatos e torneios internacionais, foi uma sucessão rápida e abrangente, para o profissionalismo desenfreado dos praticantes.
O 1º Campeonato do Mundo aconteceu no Uruguai, no ano de 1930, e foi conquistado pelo Uruguai.
Depois, os clubes até então chamados desportivos, constituiram-se em sociedades desportivas, e mais tarde sociedades anónimas, onde a palavra de ordem é o capital e o lucro, em detrimento do carácter desportivo inicialmente idealizado pelos seus fundadores.
Os futebolistas, em lugar de atletas predestinados e de eleição, passaram a ser artistas de um espetáculo transformado em máquina de realizar dinheiro.
Os adeptos, em vez de dar apoio e festejar as vitórias da sua equipa, vão aos estádios, para, quando o seu clube perde, travar lutas campais com os adversários, transformados em inimigos.
Este preâmbulo vem a propósito, porque me ocorreu contar como o futebol invadiu a minha pequena terrinha de Mosteirô.
Na minha juventude eu gostava de jogar futebol, para o qual dizem, eu tinha capacidade incomum, e quando iniciei os estudos no Liceu do Porto, vinha nos fins de semana para Mosteirô (minha terra natal), não só para matar saudades de casa, como para jogar futebol com os meus amigos e conterrâneos da aldeia.
Começamos por jogar descalços, pois nesse tempo, para eles o sapato era só para a missa.
Convenci meu pai a comprar equipamentos e "chuteiras" para a turma toda.
Fui com o pai a uma casa da especialidade no Porto, e compramos 24 equipamentos completos (para 2 equipas), que custou, na ocasião, mais ou menos o equivalente a 100 €. nos tempos de hoje.
Escusado dizer a euforia que este pequno gesto de uma criança, provocou em todo o povoado.
Aos domingos de tarde, passou a haver novo divertimento para entreter as pessoas da aldeia, além dos tradicionais jogos de cartas, e da malha.
No amplo adro da Igreja, mais tarde construiu-se um campo de futebol, disputamos grandes jogos de futebol, e a assistência, alegre e ruidosa aumentava de jogo para jogo.
Estes jogos despertaram tal interesse e ambição na população, que se organizou um grupo desportivo, ainda hoje existente, a disputar provas federadas na 3ª Divisão Distrital do campeonato de Aveiro, a prova mais modesta do calendário Português.
O clube ficou nomeado - Grupo Desportivo e Recreativo de Mosteirô.
Meus irmãos mais velhos e primos, foram os grandes impulsionadores do movimento inicial, e depois passaram a pasta a pessoas locais.
Ao longo dos anos, sempre mantive a minha qualidade de sócio fundador.
Com a minha passagem à Reforma Profissional, radiquei-me definitivamente em Mosteirô, e passado algum tempo, uma distinta comissão do clube veio a minha casa, e entendeu convidar-me a presidir os destinos do clube, para revitalizar a colectividade.
Acedi com muito gosto, e como é meu hábito, levei para a direcção todo o meu entusiasmo que depressa imprimiu vivacidade e novo ritmo à agremiação.
No 2º ano da minha presidência, na véspera de um jogo que era decisivo para a equipa adversária não ser despromovida, (nós já estavamos qualificados), um director dessa equipa, de uma povoação vizinha, veio pedir-me para nós facilitarmos a vitória deles, e dava 1.000 € de compensação ao nosso clube.
Claro que eu recusei categórica e enérgicamente esta proposta.
No dia seguinte, durante o jogo, eu pude constatar que o árbitro estava, descaradamente, a beneficiar a outra equipa, com prejuizo para nós.
No final da partida com a vitória do adversário por 1-0, o tal Director que na véspera falara comigo, acercou-se de mim e disse com ar arrogante e sorriso maldoso:
- O Sr. não aceitou a minha proposta, comprei o árbito, e até ficou mais barato.
Óbviamente no dia seguinte apresentei a minha demissão, e anulei o meu título de sócio do clube, por agressão ao meu conceito de desporto.
Voltando ao Campeonato do Mundo, faço votos para presenciarmos uma grande final - Portugal - Brasil, e, seja qual for o resultado, os adeptos das 2 selecções festejem uma boa partida de futebol, e abandonem o estádio de mãos dadas.
mai 2006 Breves Memórias de um Reformado VI,
6ª Parte - Finito
E pronto, terminam umas férias registadas no livro de recordações, pela magnifica aventura turistica, de quase 20 dias, com itinerário pelos principais parques de campismo da Europa.
Pela derradeira vez, gozei um período de férias do verão durante 3 longos meses (Julho, Agosto, Setembro).
De ora em diante, e após ingresso na Universidade, estas férias estão limitadas ao mês de Agosto, quantas vezez por 15 dias apenas.
Isto porque, os exames na faculdade se arrastam por todo o mês de Julho, recomeçando em 2ª época no início de Setembro, até Outubro.
Nos primeiros dias de Outubro, regresso ao Porto, à velha República, e ao reinicio do trabalho.
Os encantos e tradições da República "Rotunda da Boavista" foram-se esbatendo lentamente ao longo dos meus 7 anos de Liceu, pelo facto de eu ter sido o mais novo e último caloiro a receber "praxe", e também, pelo sucessivo abandono dos elementos mais velhos, conforme terminados seus cursos.
No meu último ano de frequência, eu, era o único ocupante da República a receber os carinhos, e reprimendas, (nunca levei tapa na bunda !!!) da querida e saudosa governanta dona Laurinda.
Na Universidade enfrentei novamente a azáfama e curiosidade do desconhecido, começando pela matrícula no curso pretendido (Engenharia Civil), e inscrição nas cadeiras (disciplinas) referentes ao 1º ano.
Tudo era novo e fascinante, e tudo absorvia com grande avidez para me inserir no ambiente, e aprender o que me rodeava.
Contacto com novos colegas e amigos, professores, e uma enorme espectativa para o início das aulas.
Com muito trabalho, disciplina, e a ajuda preciosa de muitas pessoas, vencendo os obstáculos que tive de enfrentar, cheguei ao 3º ano do curso, composto por 6 anos de frequência.
Chegado ao 3º ano aconteceu o imprevisto e indesejado ... grande chumbo nos exames, que alterou por completo os meus planos préviamente traçados.
Nesse tempo (Portugal iniciava uma guerra na defesa das suas colónias ultramarinas), e por necessidade extrema de recrutamento de mancebos habilitados para o curso de oficiais milicianos, todo o aluno que reprovasse nos exames, é automáticamente recrutado para reforçar as fileiras do exército.
Os Universitários são encorporados como oficiaiis milicianos, que representam a legião dos oficiais não pertencentes aos quadros do exército.
De um dia para o outro, o estado Português , altera o estatuto do Lito, de pacífico cidadão estudante, em belicoso soldado e carne para a guerra, por imposição unilateral.
Sem demoras fui encorporado, e durante 6 infindáveis anos, andei engolido por aquela tão complexa, como aberrante, máquina militar.
Durante os primeiros 6 meses frequentei um curso intensivo e muito, preenchido, para oficiais, que privilegiava as componentes fisica, e a táctica militar, teórica e prática.
Foram 6 meses de férrea, por vezes ridícula, disciplina e extremo esforço fisico, levado aos limites da resistência humana.
Como pequeno exemplo:
Inúmeras vezes acordavam bruscamente os recrutas a meio do sono (4 horas da madrugada) para fazer uma marcha de 5 Km.
Outras vezes despertavam o pessoal, que reunia em formatura, para passar uma reprimenda em, público, a um recruta que tenha prevaricado o regulamento militar.
Isto espelha bem, como é absurda e idiota a disciplina militar ...
Em todo o caso, foi-me permitido, sem prezuizo do serviço, marcar e fazer exames para não paralisar os meus estudos.
Após detalhada análise e profunda reflexão, optei por transferir a minha inscrição da Universidade para o Instituto Técinico e Industrial, que me habilita ao curso de Engenheiro Técnico, licenciatura com curso de 4 anos, equivalente a bacharel.
Transferi meu curriculum de 3º ano da Universidade, e para concluir esta licenciatura resta-me fazer 8 exames, que concluíi nos 2 primeiros anos de tropa.
Durante 3 anos servi com dignidade, como oficial instrutor de soldados em diversos quarteis, e andei executando manobras e exercícios de treinamento pelos campos militares.
Completados estes 3 anos, veio a inevitável mobilização, por imposição, para o ultramar, em situação de guerra com os movimentos de libertação das colónias.
Fui mobilizado para Angola onde durante mais três anos cumpri com galhardia a minha comissão.
Foram 3 anos onde presenciei chocantes cenas de desumanidade, e outras dramáticas, como, ver cair amigos, ou regressar abalados por alterações psicológicas, que ainda hoje os perturbam.
Felizmente saí a salvo, quer de um, quer de outro caso.
Regressei, para casar, e, dar início à minha actividade profissional, a que me dediquei de corpo inteiro, até me reformar, ao completar 60 primaveras, por vezes radiosas, outras nem tanto ...
Agradeço aos meus amigos, que teimaram até final, na leitura destas letras, e com tanta gentileza me dedicam, amistosos e carinhosos comentários.
Posso dizer que fui feliz, e, o tempo se encarregou de cicatrizar as feridas que me atormentaram.
Hoje, continuo feliz, por conviver com a felicidade de meus filhos e netos.
Abraço e Beijos,
Lito avril 2006 Resposta de Lorenzo VA Felicidade
Querida Maria Alice
Meu Amor
Não é possivel ser feliz sem a presença fisica do teu esplendor a meu lado.
Tenho sempre presente os momentos que passamos juntos, minuto a minuto, em que amparada nos meus braços fizeste juras de amor e te entregavas às delícias dos meus carinhos e ao prazer do amor.
O resgate está prestes a ser consumado, e em breve, repousas a tua cabeça no meu peito sedento de amor, e o teu corpo nos meus fortes braços prontos a cobrir e afagar esse delirante desejo.
Ao largo já avisto trémulas luzes que vão resplandecendo à medida que o pequeno bote se aproxima de terra, arrastado por ondas agitadas e maré bravia destas praias.
Ao tomar o bote com equipamento de marear, abastecimentos e água, para iniciar a fuga da embarcação dos piratas, apoderei-me da garrafa (abençoada Wilson) que evitou eu enregelar com os ventos gelados do Atlântico Norte, e também de um saco com substancial quantidade de moedas em ouro, oculto no camarote do capitão LÒlonnais.
Ainda a restabelecer dos ferimentos sofridos em mãos dos piratas, esfarrapado, com fome, sede e frio, logo pousei os pés em terra firme e levantei uma prece a Deus.
A todo o custo arrastei o bote para o interior de uma mata, onde o dissimulei muito bem pois poderia voltar a ser-me útil numa fuga de recurso.
Protegi-me, bebi o que restava no fundo da garrafa, juntei todos os trapos para me cobrir e dormi um sono profundo e reparador.
Sonhei contigo minha adorada, que já estavas protegida nos meus braços, e o barulho das ondas aliado ao som ameno da brisa que soprava na praia, cantava aos meus ouvidos como gemidos de prazer que ias libertando, depois de tanto tempo oprimidos nesse peito escaldante de desejo.
Quando abri os olhos o sol ia já alto e calculei ter dormido umas 20 horas.
Apaguei todos os vestígios da minha presença no local, deixei uma marca, bem perceptivel só para mim, e avancei com todas as cautelas em direcção ao povoado.
Evitando sempre os locais mais concorridos, encontro com facilidade os "Banhos Públicos", onde com enorme alívio me lavei afincadamente.
Próximo havia uma tenda onde foi possivel adquirir roupa nova, apropriada à minha condição de fidalgo, garboso e elegante.
À procura de uma boa refeição encontrei uma estalagem, onde me acomodei para satisfazer minha fome devoradora, de quem à muito tempo não saboreava comida quente e abastada.
Depos de convenientemente lavado, vestido e bem alimentado senti estar totalmente pronto e retemperado a enfrentar todos os obstáculos para libertar a minha amada do jugo daquele desprezivel vilão.
Deambulando pelo povoada dirigi-me para La Plaza Mayor, onde me apercebi de grande aglomerado de gente, provocando muita confusão e alarido.
Aproximei-me e verifiquei que era um mercador de escravos que expunha grande quantidade de mercadoria. escravos, para vender em hasta pública.
Acerquei-me do local, e ao observar a mostra de escravos, reconheci com surpresa e muito agrado, os meus bons e leais amigos, os malogrados marquês de Abranches e o duque de Valdevez, capturados juntamente comigo, e posteriormente vendidos ao mercador. Eu sempre pensei que tinham sido bárbaramente assassinados.
Maltratados, andrajosos e esfomeados ao verem-me aproximar aperceberam-se do meu gesto e simularam não me reconhecer
Acerco-me do mercador e negoceio por valores mais elevados que o normal, a compra da liberdade dos meus amigos, para evitar o leilão.
Rápidamente nos retiramos do local e levei os meus amigos aos Balneários, onde nos cumprimentamos efusivamente, e eles se lavaram e vestiram condignamente.
Hospedamo-nos na estalagem onde eles devoraram uma farta refeição, e de seguida, conversamos durante longas horas a contar nossas desventuras e planear o futuro próximo na libertação da minha amada Maria Alice.
Meu amor, só depois de ler as tuas amargas linhas, eu fiquei a entender o enorme sofrimento e dor provocado pelas mentiras e intrigas desse abjecto e traidor Abade Fleury, totalmente dominado pelo preverso Barão
Mas te juro, chegou a hora da nossa felicidade e fazer justiça, com honra, mas implacável.
Pela manhã, bem cedo, e totalmente recuperados de todos os infortúneos recentes, percorremos as calçadas do povoado, à procura de local onde podessemos comprar armas e munições em número suficiente para enfrentar dura batalha que se aproximava.
Já na posse do armamento, marchamos em direcção ao porto de mar pois impunha-se fretar uma embarcação, e respectivos tripulantes a fim de regressarmos a nossas terras com segurança.
Tivemos que deambular por diversas tavernas e conversar com inúmeros marinheiros até encontrar o capitão Vellasquez, um espanhol destemido, conhecedor de toda aquela terra costeira e dos mares que a banham.
Conversamos por algumas horas para acertar estratégias, e ordenei-lhe, para no inicio da noite, ter preparados, 12 cavalos, e 6 homens da sua tripulação para juntamente com meus amigos avançarmos sobre os domínios do Conde Monte Verde, e arrancar das suas tenebrosas garras a minha frágil Maria Alice.
Seguidamente após apuradas investigações e diligências parti em busca do Abade Fleury, que acabei por encontrar na saída do templo local.
Sem qualquer explicação ou contemplação, obriguei-o a acompanhar-me e a contar todo o trama engendrado pelo Conde Monte Verde, e porquê ter colaborado tão cobardemente com o vilão.
Constantes ameaças de tortura e de morte foram suficientes para convencer aquele caracter fraco e miserável.
Também me informou o Abade que arrependido das traições cometidas contra Maria Alice e sua mãe, decidiu ajudar a donzela contribuindo na sua fuga para o Convento das Madres da Piedade, onde se encontra, presentemente, refugiada.
Informou-me ainda que o Conde Monte Verde pensando que ela fugira para mim, decidiu rumar para terras de meu pai, com ideias de nos matar a ambos, e raptar de novo a malograda Maria Alice.
Ao início da noite, à hora aprazada com o capitão Vellasquez, eu e meus amigos, juntamente com o Abade Fleury, reunimos com o capitão e seus 6 tripulantes fortemente armados, numa praça deserta por trás das cavalariças locais.
Evitando fazer barulho iniciamos a cavalgada rumo aos domínios do Conde Monte Verde, com o Abade a indicar o precurso.
Fácilmente dominamos as forças do Conde e entramos nos seus domínios.
Após busca minociosa em todas as dependências e anexos, deparamos em um dos quartos, com a mãe de Maria Alice quase moribunda.
Obriguei o Abade a jurar por Deus, ali defronte à desfalecida, que cuidaria dela condignamente, e, quando falecesse, celebrava um funeral honroso.
Mais o fiz jurar que tomava a seu cargo fazer uma distribuição equitativa dos bens do Conde Monte Verde, por todos os seus subordinados, reservando uma parte substancial para os mendigos da região.
A grande galope, e com o Abade a sevir de guia, cavalgamos em direcção ao Convento das Madres da Piedade onde se refugiara a minha amada.
O meu coração estava em sobressalto só de pensar que restava pouco tempo para apertar nos braços, o meu grande amor, e não mais deixar fugir.
Chegados ao amplo átrio do Convento ordenei ao Abade que fosse rápidamente procurar a Maria Alice e trazê-la até mim.
Os breves instantes seguintes me parecem uma eternidade, e eis que vejo a mais bela mulher do universo, a minha amada, atravessar a pesada portada do Convento, e correr de braços estendidos na minha direcção.
Foi um prolongado e arrebatado abraço, acompanhado de mil carícias, beijos apaixonados. e, ardentes lágrimas.
Emoçao impossivel descrever.
Contudo, não podiamos perder tempo, e de pronto, levantei Maria Alice nos meus braços firmes, e sentei-a na sela do meu cavalo, montando eu próprio atrás dela, e, enlaçando-a, lancei a galope o cavalo em direcçãp ao porto de mar, onde nos aguardava a embarcação do capitão Vellasquez, de velas prontas a zarpar.
Quando o sol rompe no horizonte, já nós navegamos ao largo, em águas tranquilas, rumo ao meu palácio.
A viagem decorreu calmamente sem sobressaltos a registar, de forma que, eu e minha amada disfrutamos todos os momentos, no camarote que nos foi destinado, para nos contemplar e amar perdidamente.
Chegados a terra, cerrei contas com o capitão Vellasquez, e fui prontamente depositar no meu palácio, a maior relíquia dos meus sonhos, a preciosa Maria Alice, entregando-a à guarda das fiéis amas, a quem ordenei que de ora em diante, elas teriam de lhe obedecer cegamente.
Juntamente com meus leais e corajosos amigos, o marquês de Abranches e o duque de Valdevez, cavalgamos a todo o galope para terras de Mogofores, vila onde se situa o palácio do Conde Diego Maltini, que apesar do corte de relações, continua sendo senhor meu pai, na peugada do conde de Monte Verde.
Quando entrei no terreiro fronteiriço ao palácio, deparei com o covarde do conde Monte Verde emboscado atrás de uma árvore a disparar traiçoeiramente sobre o meu pai que saia nesse momento pela porta principal.
Perante tal acto repugnante avancei enérgicamente sobre o monstro assassino, que temeroso como todos os da sua casta, apontou a arma à cabeça e se suicidou vergonhosamente, por ter medo de me defrontar.
Abracei com grande emoção e agradeci efusivamente todo o apoio generoso dos meus leais companheiros e amigos, e regressei solitário ao meu palácio.
Finalmente, tinha à minha espera a mulher que me ama loucamente, e por quem eu dou a própria vida.
Com todo o amor,
Lorenzo
NOTA :
Olá Nayá
Como brilhante iniciadora desta história, e autora de "o Lacre" e "o Início", sugiro que nos brindes com um epílogo, ao teu estilo, cheio de pompa e circunstância.
Beijo,
Lito
avril 2006 FrustationeDia 11 de Abril pelas 8,30 h da manhã quando chego ao Aeroporto Dr.Francisco Sá Carneiro no Porto, para colaborar na recepção condigna a nossa querida amiga Márcia, prestes a desembarcar vinda de São Paulo.
Repentinamente sinto-me abalado por tremenda indisposição geral, e grande dificuldade em respirar.
Reduzo a velocidade do carro e percorro as poucas centenas de metros que faltam para o local de chegadas internacionais, pela berma, e com as 4 luzes de emergência ligadas.
Avisto um polícia parado, com algum custo saio do carro, e entrego-lhe as chaves dizendo:
- Sinto-me muito mal e preciso de uma ambulância para me transportar rápido ao hospital.
O polícia ficou um tanto surpreendido, porém, vendo o meu aspecto e a respiração ofegante, logo se apercebeu que eu estava muito combalido.
Enquanto espero a ambulância, telefono pelo celular para a Céu, grande amiga e anfitriã da Márcia, que também se encontrava no Aeroporto aguardando a menina.
Ao falar com extrema dificuldade, tento explicar a minha enorme frustração, e que seguia de urgência para o hospital.
Felizmente para Márcia, nestes dias, não faltaram bons amigos junto dela, nomeadamente a Céu, a Andreia, o Gil, e outros, que a própria Márcia referirá, oportunamente.
E pronto, no hospital segue-se todo aquele terrível ritual de análises, exames, e observações, que vão pondo a nú as moléstias do nosso corpo.
CONCLUSÃO : o meu coração agradece que eu o trate bem e com muito jeitinho ...
No dia 14 pelas 12 h recebo alta do hospital, e de pronto, vim aqui, dirigir-me a todas as minhas queridas amigas e prezados amigos, para agradecer tantas palavras de simpatia e estímulo que vou lendo aqui.
A todos muito obrigado
A todos uma Páscoa feliz
Lito
N O T A :
Nos dias 20 e 21 finalmente tive oportunidade de, pessolmente, encontrar e conhecer
ao vivo a Márcia e outras pessoas amigas com quem tive o prazer de almoçar e jantar, e fiquei a gostar muito (estou-me a referir a Céu, Sónia e José Elfo)
A Márcia anda por aí a gabar-se que quer dar umas tapas na bunda do putinho ...
Olhem só o que aconteceu !!!
Lito mars 2006 Breves Memórias de um Reformado VBreves Memórias de um Reformado
Não Aposentado
5ª Parte - Férias
Agosto/Setembro de 1958 concluidos os sete anos de curso liceal e completados os 18 anos de idade, fui generosamente presenteado pelos Pais com um magnifico Plymouth modelo 1936, velho mas bem conservado automóvel, entro em gozo das desejadas e bem merecidas férias de verão.
Pronto para disfrutar 30 dias, na calma e tranquila praia do Furadouro onde habitualmente faço a época balnear, ali, vou encontrar os amigos, as amigas, e, como todos os anos, ensaiar novas conquistas e namoricos de férias.
Havia distintamente dois grupos rivais respectivamente constituidos por quem vivia a norte ou a sul da cidade de Aveiro, a capital de Distrito.
Nessa época as rivalidades eram defenidas e marcadas pela positiva, isto é, cada grupo procurava fazer mais e melhor que o outro, porque a juventude não era adepta de desordens gratuitas, nem vandalismos selvagens de destruição violenta..
Sabiamos divertir com alto grau de civismo, que infelizmente se foi perdendo com os tempos.
Essencialmente faziamos praia,, mar, piscina, alguns desportos, e para as noites, estavam reservados os melhores momentos: enquanto passeavamos pela avenida, fazia-se o ataque cerrado e contínuo à conquista de namoradas, para no final do mês ser apurado o campeão dos engates.
Nestes passeios na Avenida pela madrugada dentro, quase todas as noites, por entre risinhos excitados ou choros nervosos, se iniciavam e terminavam namoros.
Na altura não imaginavamos que elas faziam uma competição idêntica ...havendo mesmo nos dois campos verdadeiros artistas na matéria.
Neste ano com o carro (rápidamente baptizado de Dona Elvira) fui o conquistador mor, pois todas as moças se enamoraram pelo bólido ... o Lito não tinha mãos a medir.
Como não existiam discotecas as mamãs das meninas organizavam bailes três vezes por semana, no salão do Pavilhão de Desportos do Furadouro.
Estes bailaricos eram os momentos mais anciosamente aguardados por todos nós.
Era nestes bailes que se revelava a grande perícia de todos os envolventes: as mamãs, as meninas, e a malta.
As meninas para põr em prática a melhor forma de escapar aos olhares atentos da mãe, e ao mesmo tempo, na defesa aos atrevidos e mal disfarçados golpes de mão do par enquanto dançavam.
Os rapazes a pensar na forma de agradar e tirar o máximo proveito, e ao mesmo tempo esconder o jogo à velha, sempre vigilante.
Finalmente as mamãs preocupadas em ocupar lugares estratégicos em redor do salão por forma a simultâneamente conversar umas com outras, e nunca perder de vista o que ia acontecendo na pista de dança ... talvez recordando com nostalgia os devaneios da juventude.
Que noites fantásticas, onde com mais ou menos estratégia, todos conseguiamos alegremente divertir em cheio.
Quando um rapaz conquistava os amores de uma moça do grupo rival, o acontecimento era condignamente celebrado com o herói a pagar cervejas a toda a malta do grupo, e tinha direito à realização de uma momumental serenata dedicada à mulher dos seus encantos.
Em beleza, mas vertiginosamente, decorreram os 30 dias de praia, servindo os últimos 2 ou 3 dias para uma troca de lembranças e juras de amor eterno entre os pares mais apaixonados; nestas despedidas chegava a haver muito choro e lágrimas derramadas ...
Este foi o último ano em que gozamos as férias de verão nesta modalidade de grupos organizados, porque com a idade os interesses da malta passaram a ser distintos, mais individuais e personalizados.
Setembro chegou, e eu já tinha préviamente combinado com um primo e outro amigo comum, irmos fazer campismo no sul de Portugal, nas praias do Algarve banhadas pelas águas temperadas do Mediterrâneo.
Nessa época, por cá, os parques de campismo estruturados, estavam a dar os primeiros passos de forma que optamos por um campismo semi selvagem em locais sem grandes infra-estruturas, mas era uma aventura onde pervalecia o espírito de sacrificio e a iniciativa
Escolhido empiricamente o local nas proximidades de uma povoação, e onde já estivessem instalados outros inquilinos, armava-se a tenda e faziamos pela vida.
Na primeira vez que me tocou cozinhar resolvi fazer uma omelette com salsichas, e ao bater os ovos nem reparei em numerosos fragmentos de casca de ovo misturados e só notamos ao comer... muitas reclamações
Por lá passamos 15 dias que foram muito divertidos e bem preenchidos, onde conhecemos muita malta nova, alegre e descontraída.
Aliás, na prática de campismo travei grandes amizades que perduraram largos anos por muitos convívios em parques de campismo pela Europa fora.
Durante 15 dias, mais ou menos, vivemos com a natureza, e quando acabou o dinheiro, juntamos os tarecos e regressamos a casa só com dinheiro à justa para gasolina.
Sempre tesos ...mas felizes.
mars 2006 Breves Memórias de um Reformado IVBreves Memórias de um Reformado
Não Aposentado
4ª Parte - Liceu e Universidade
Dia 7 de Outubro de 1950 ao transpor pela 1ª vez os portões do Liceu Alexandre Herculano senti no meu intimo que aquele menino despreocupado vai dando lugar a um pequeno homem com alguma maturidade.
Na entrada o contraste é enorme entre os alunos veteranos que avançam descontraidamente em grande algazarra, e a quase centena de novatos, como eu, que pela 1ª vez enfrentam nervosos a rigidez e disciplina do Liceu.
Timidamente olham em redor até surgir um eficiente contínuo para os conduzir ao local onde estão expostas as pautas com a composição das turmas e respectivas salas.
Falo em rigidez e disciplina porque em Portugal, nesse tempo, o ensino primário e liceal era ministrado em estabelecimentos separados conforme o sexo dos alunos:
Escolas e Liceus masculinos para os rapazes e escolas e liceus femeninos para meninas. Só nas Universidades e Institutos Técnicos o ensino passa a ser comum a alunos e alunas.
Como não podiamos entrar nos recintos vedados dos liceus femeninos, no final das aulas a malta aglomerava-se em frente aos portões esperando a saída das amigas ou namoradas.
Quantas vezes se gerava grande confusão por haver dois pretendentes à mesma garota, e nessas ocasiões, logo faziamos um cerco em redor dos dois galos, e a luta era inevitável, para gáudio da restante malta.
A adaptação à nova realidade operou-se rápidamente e o meu relacionamento com professores e colegas fácilmente se alastrou, sendo de salientar que, nessa época, respeitavamos as professoras e os professores como aos nossos próprios pais, numa disciplina de rigor.
O horário escolar era idêntico em todos os liceus do País (9 H - 12 H e 14 h - 17 H) sendo um dia da semana livre (Quarta) dedicado a actividades desportivas e recreativas.
Participei sempre com muito empenho em algumas modalidades, nomeadamente, natação, futebol e hóquei em patins, práticas em que me distingui com razoável êxito nos campeonatos académicos.
Entretanto na República as coisas decorriam agora mais calmamente, já sem o tal rigor dos primeiros dias, mas ainda, com a ameaça da praxe cair em cima de mim a qualquer momento.
Recordo uma vez que tive de fazer uma declaração de amor, em nome de meu irmão mais velho, a uma moça de 18 anos, muito bonita por sinal.
Mais uma vez recorri à mana e prima que fizeram a minuta para eu ensaiar ... parece que fui bem convincente porque ganhei grande beijoca da menina.
Nos estudos sempre tive o apoio de todos, tanto no esclarecimento de dúvidas, como em bons conselhos que me foram sendo muito úteis em toda a vida académica.
Anciosamente aguardava os fim de semana que ia passar na aldeia, em Mosteirô, em casa dos meus pais, e os veteranos diziam que eu ia mamar !!! não era bem isso, mas quase ...
Aproveitava para retomar alguns dos hábitos de criança, ainda frescos na minha memória, e gostava de descalçar os sapatos para jogar a bola, na rua, com os meus amigos da aldeia.
Passado o primeiro ano comecei a ser considerado residente da república com plenos direitos e sem quaisquer restrinções ou penalidades. Até completar os 15 anos, para sair à noite ou ir ao cinema tinha de pedir aos mais velhos.
Os anos foram passando, e na medida em que terminavam seus estudos, os residentes iam abandonando a república.
No mês de Julho de 1958 (ia fazer 18 anos em Agosto) conclui os sete anos do curso liceal ....
.... enfim férias
Ganhei um carro
Legenda de Fotos
1 e 2 - A nossa República
posteriormente este edifício foi vendido para ser uma
pensão agora encerrada e quase em ruínas.
3 e 4 - Rotunda da Boavista - Jardim ... que foi dos meus
amores
5 - Dona Elvira - meu 1º carro - la Belle Epoque
Lito deixa crescer
barba
février 2006 Breves Memórias de um Reformado IIIBreves Memórias de um Reformado
Não Aposentado
3ª Parte - Liceu e Universidade
No dia 6 de Outubro de 1950 pelas 19 h o caloiro Lito, simulando descontracção, avança pela porta dentro a assobiar descaradamente e com as mãos displicentemente enfiadas nos bolsos das calças, sendo a primeira vez que vestia calças compridas pois antes sempre usara calções.
Desilusão ... a sala encontrava-se silenciosamente vazia apesar de os veteranos terem marcado uma reunião magna para essa hora.
A verdade é que toda aquela pseudo auto confiança minuciosamente preparada se esfumou de repente e logo fiquei reduzido à insignificante condição de caloiro.
De pronto percebi que era intenção dos veteranos desmoralizar e enervar, para mais fácilmente dar tanga ao "puto", e por isso, não me deixei alarmar.
Reparei em cima da mesa um jornal que me sugeriu novo cenário: sentei-me, cruzei a perna com cuidado para não amarrotar minhas novas calças compridas. e peguei no jornal fingindo ler atentamente as notícias.
Passado algum tempo, já eram 19.30 h, ouço passos e eis que os seis ilustres veteranos entram na sala com grande alarido de conversa e gargalhadas.
Com muita serinidade, aparente, representei o meu número, fazendo de conta que não vejo nem ouço nada, descruzo a perna, cruzo a outra e volto a folha do jornal.
Um silêncio profundo enche o ambiente da sala e ouço uma voz áspera e autoritária:
- Caloiro imediatamente de pé e aproxima-te.
Era o elemento mais velho da República, meu primo Fausto, de 24 anos finalista em engenharia, prontamente obedeci e pensei baixinho: aguenta nas canetas Lito, vai começar a tanga.
Cheguei junto dele levantei a cabeça para o fitar nos olhos e perguntei:
- Então Fausto que há?
- Leste o regulamento?
- Claro que li ...
- Então podemos começar a reunião, eh! malta vamos sentar.
Todos pareciam querer falar ao mesmo tempo e por momentos reinou a confusão.
Não tem interesse transcrever aqui o regulamento, bastando mencionar algum artigo quando a propósito de qualquer episódio aqui relatado, mas previa sanções como por exemplo medir distâncias e comprimentos com um palito.
Depois de muita conversa e perguntas disparatadas. às quais tinha de inventar resposta tola, alguém perguntou se tinha dúvidas.
- Expliquem lá isso de engraxar os sapatos ?
- Ora bem, uma vez por semana tens de engraxar os sapatos da malta.
Os esclarecimentos foram surgindo na medida em que eu questionava.
Entretanto devo salientar que as duas meninas, ( minha irmã e uma prima) por gentileza femenina, desde logo me dispensaram de engraxar os sapatos delas.
Também me competia trazer diáriamente o jornal, e sem prejuizo do meu horário de estudo, tinha de ir à Livraria comprar material de papelaria para quem solicitasse, e todo o tipo de recados.
Os dois veteranos mais velhos eram os que mais recorriam aos serviços do prestimoso (?) caloiro, por vezes até com certo gozo, mandavam-me levar cartinhas para suas amigas. (não havia telemóvel ou celular).
Certa ocasião resolvi vingar-me no Fausto inventando a marcação de um encontro. Foi assim :
Ele falava muito numa tal Célia e dizia que ela não passava cartão, mas não ia desistir até ela se render aos seus encantos.
Então convenci as meninas (irmã e prima) a escrever um bilhete em nome da Célia, disfarçando a letra, a marcar um encontro para as 10 h da noite no jardim da Rotunda da Boavista, ali próximo de casa. Muito compenetrado da minha missão dei a cartinha ao Fausto dizendo que encontrei a Célia na Livraria e ela me pediu para entregar-lhe.
No dia D jantamos apressados, e elas a pretexto de ir a casa de uma colega pediram-me para as acompanhar.
Fomos para a Rotunda e escolhemos um local estratégico protegido por arbustos, onde podiamos observar sem ser vistos.
Vinte minutos antes das 22 h vislumbramos ao longe o Fausto a aproximar lentamente e sondar a área semi iluminada do jardim até escolher um banco onde se sentou.
Aparentava estar ancioso e nervoso sempre a olhar para o relógio... o tempo foi-se arrastando, até que às 22,30 h se levantou furioso e partiu com largas passadas resmungando a meia voz sem nós conseguirmos ouvir os seus desabafos ... foi pena !!!
Amanhã dia 7 de Outubro início do ano escolar, e o Lito tem de se apresentar às 9 h no Liceu Alexandre Herculano para a grande partida na escalada de sete anos do curso Liceal.
(Continua)
février 2006 Breves Memórias de um Reformado IIBreves Memórias de um Reformado
Não Aposentado
2ª Parte - Liceu e Universidade
Terminados os quatro anos de escolaridade primária abrem-se novos horizontes na minha aprendizagem, ao enfrentar a responsabilidade de um curso Liceal agora um pouco mais independente da restrita tutela dos pais.
Assim, no ano de 1950, e com a idade de 11 anos, rumo para a cidade do Porto (a grande cidade) onde a família possui uma moradia que servia de residência à geração de estudantes de todo o agregado familiar.
Por essa casa foram passando meus irmãos e primos mais velhos que fundaram uma República de Estudantes com regras próprias e praxes académicas muito peculiares, que foram passando o testemunho para os mais jovens.
Claro que os pais controlavam discretamente à distância a gerência desta República Autónoma e confiaram as lides domésticas a uma governanta, Senhora Laurinda, mulher de meia idade com carácter e modos de um mal encarado sargento do exército, mas boa e paciente mulher.
Nesse ano de 1950 residiam lá seis elementos; dois primos universitários, mais meu irmão, minha irmã e outros dois primos todos alunos de diversos anos do Liceal.
Eu passei a ser o sétimo elemento, que segundo a praxe, durante a vigência do primeiro ano seria considerado «caloiro», e como tal na República, não teria os mesmos direitos de cidadania dos restantes que já eram veteranos.
O grande dia chegou e de acordo com normas estabelecidas meu pai deixou-me em frente ao portão de casa e partiu, ficando eu com uma pequena mala na mão, meio receoso e desconfiado.
No interior, em um pátio de acesso à casa, os residentes encontrvam-se perfilados em duas alas e eu teria de passar pelo meio dessa guarda de honra, o mais ligeiro possivel, pois eles iam molhar a sopa no meu esqueleto com sopapos e caneladas.
E assim foi a recepção ao caloiro com todas as honras da praxe, para iniciar, solenemente, a minha formação como estudante e como homem.
Corajosamente enfrentei os agressores. encolhi-me e em corrida desnfreada ultrapassei este obstáculo entrando de rompante pela porta dentro onde inesperadamente esbarrei na corpolenta dona Laurinda, a governanta, que me amparou nos fortes braços; enfim,
estava salvo.
A governanta pegou na minha mala e levou-me para o interior onde mostrou os futuros aposentos: um quarto de duas camas e um beliche, pertencendo-me naturalmente este último (caloiro não é !).
Logo de seguida o residente mais velho (um primo universitário) acercou-se de mim estendeu-me uma folha de papel A4 dactilografada, e disse telegráficamente: Caloiro, lê isto e comparece dentro de 30 minutos na sala, para uma reunião magna.
Eram os estatutos e as praxes vigentes da nossa Repúblca.
(continua)
février 2006 Breves Memórias de um Reformado IBreves Memórias de um Reformado Não Aposentado 1ª Parte Mosteirô, no longínquo dia 16 de Agosto de 1939 pelas 6 h da manhã quando o sol começou a espreitar preguiçosamente no horizonte, acabara de nascer um bebé soltando os primeiros gritos de alerta como para dizer, cheguei estou aqui. As pessoas presentes no quarto (mamã Maria Rosa, papá Gil, e parteira tia Luciana) exclamaram cheias de espanto e admiração: que menino tão lindo! Era EU e não é para me gabar mas o rapaz era mesmo um espanto … Naquele tempo ainda não havia o recurso a ecografia e similares pelo que o sexo da criança só era conhecido depois da amostragem do mesmo, embora o selo de garantia surgir apenas na puberdade. O menino foi crescendo em idade, tamanho, sabedoria, esperteza, malandrice infantil, e segundo as recordações da mamã e amas deu trabalho bastante. Era tempo em que não havia infantários nem jardim escola de forma que essa fase de crescimento foi-se desenvolvendo sob a protecção das saias da mamã e amas, e na rua com a convivência de outras crianças alegres, despreocupadas, atrevidas e sem problemas de qualquer espécie. À parte um castigo ou outro, tudo era felicidade. Ano de 1946, chegou a idade escolar, mais um marco importante na minha vida. Na escola primária da minha aldeia, cheio de curiosidade e ânsia de descobrir coisas novas para saber cada vez mais, aprendi a ler, escrever contar e tomei conhecimento das primeiras noções de ciências naturais, história e geografia.. Começou a etapa das primeiras preocupações e levar trabalhos para fazer em casa, uma grande chatice, que não me largou mais durante toda a vida.
Continua - Liceu e Universidade février 2006 EsclarecimentoA bem da verdade, venho esclarecer que sendo Dom Lorenzo Maltini um desportista de elite com classe mundialmente reconhecida como provam estes recortes do jornal desportivo espanhol com maior tiragem, “El Rekord”, demonstra que não pode ser, de forma alguma, aquela coisa com calça de couro super justa. Lito
RECORTES :
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